No Gloves On

Saindo Aos Meus… Sem querer!

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Para além da constante descoberta e redescoberta que envolve ir conhecendo uma (mini) pessoa em crescimento, uma das coisas mais divertidas de ser mãe de uma menina -ou no meu caso, de duas (uma ainda bebé) – é ir reconhecendo alguns pormenores da sua vida, da sua forma de expressar, das suas escolhas ou opções, hábitos, etc. como pormenores que também poderiam ser meus, parte da minha forma de expressar ou das minhas escolhas.

É estranho, porque não se tratam de pormenores ou traços físicos ou genéticos que sejam comuns  e explicados através de ciência…

Claro que desde o dia que nasceu que parte da conversa inevitável e recorrente entre a família é a tentativa de  decifrar os traços físicos ou faciais da bebé – agora menina – e associá-la constantemente a todas as pessoas da família, algumas que confesso, gostaria que não fosse associada. É normal cada um ‘puxar a brasa à sua sardinha’ numa demonstração de carinho por esta pequena criatura associando-a imediatamente a si ou aos seus mais queridos.

Se a avó diz que a neta é igual a ela, a tia-avó diz que é igual à outra tia, o bisavô diz que é igual à mãe dele e a tia diz que é igual à sogra… Enfim, no inicio tinha a sua piada, mas ambos temos famílias grandes e passado um tempo, já cansava… Uffffff!!  Fizesse o que fizesse (até coçar o nariz, acho!) teria sempre que ter a ver com alguém e nunca com ela própria. A uma certa altura tivemos que chegar a um acordo e quando alguém nos pergunta, ela é parecida com ela própria e não interessa de quem são os olhos, ou as orelhas ou o dedo mindinho, porque é tudo dela.

Claro que descansámos toda a gente distribuindo 1 gene da sua fantástica e tão disputada sopa genética a cada um, para ficarmos todos felizes.

Confesso que acho alguma graça em ir descobrindo algumas parecenças físicas com alguém (principalmente com o pai) e claro que sabe sempre bem ouvir alguém dizer que a nossa filha está numa fase em que está fisicamente mais parecida connosco, ou aquela expressão, etc., mas as parecenças físicas são apenas sorteadas, dependem muito de fases de crescimento até a criança ou a pessoa chegar ao ponto em que é igual a ela própria e a mais ninguém. Mas no que toca às suas escolhas pessoais ou a sua forma de ver certas situações, a sua perspectiva, ou expressão pessoal, aí é que se torna bem mais interessante e bem mais divertido.

Não pela influência normal e inevitável (penso…), mas ver que são momentos que acontecem porque a minha filha assim o quer, partem dela e revelam uma escolha muito própria e pessoal. E nalguns desses momentos, reconheço essas escolhas ou perspectivas.

Mas será que se pode influenciar a expressão pessoal, sem querer?

Será?

Penso e espero MESMO que não, que não seja uma influência directa e poderá ser uma coincidência, mas a dúvida fica sempre no ar quando a observo a reagir ou a decidir certos pormenores por ela própria ou a ver as coisas de uma certa forma e lembrar-me de as ver também assim…

É delicioso como mãe e muito divertido ver como, volta e meia, eu e a minha menina podemos ter algumas perspectivas ou formas de expressão tão tão tão semelhantes.

 

<Fotografia de David Lachapelle>

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