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Peças de Arte Estampadas na Moda – Sim ou Não?

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Com os olhos todos postos em Paris, no momento, com muuuuuuuuuuuuuita expectativa para a semana de moda de Alta Costura – que já começou – e enquanto se espera pelas primeiras imagens, acabam por passar muito rapidamente pela mente (como que em revista) as tendências  que o Prêt-a-Porter trouxe em Outubro para a Primavera 2014. Uma delas – claro! – que salta logo para a primeira fila, é a tendência das estampas de pinturas (ou murais ou graffittis ou pinceladas abstractas…) em colecções e peças de vários criadores.

Lembro-me imediatamente dos tempos de liceu e de ter entrado numa discussão muito específica nas aulas de Arte, por causa do ‘usar’ ou ‘não usar’ obras de arte na moda, o que resultou – claro! – numa discussão sobre a reverência e o constrangimento das pessoas à Arte em geral. Tudo começou por um trabalho X qualquer em que nos pediam para explorar e apresentar uma peça inspirada numa obra de um pintor ou escultor e eu decidi fazer o meu trabalho sobre o vestido Mondrian que Yves Saint Laurent criou em 1965. A discussão então começou quando algumas pessoas acharam que não era correcto da parte do criador ter usado um quadro de Mondrian para fazer o vestido, porque era todo ele o próprio quadro do pintor e não era apenas inspirado ou usado em influência para lhe poder chamar uma criação sua. Eu não concordei.

YSL entendeu o seu vestido como um certo formato de tela que poderia ser usado como a base para blocos de cor como os de Mondrian e que estes em complemento com a forma do vestido iriam criar uma peça sua com base na técnica de montagem e no visual dos blocos de cor de outro criador, Mondrian… Claro que é sempre um ponto de vista e existem vários mas eu acredito que pode existir uma peça (de arte) baseada noutra peça de arte – existem tantos exemplos óbvios… – e acredito que toda a história do mundo da Arte (todos os tipos de Arte que existem) se tratam de invenções e reinvenções que permitem a sua evolução. Senão calculo que estaríamos todos (ou em grande parte) a inventar sempre a mesma coisa.

Existem muitos pontos de vista, sem dúvida, e a discussão já é muuuuuuuuuuito batida…

E a verdade é que toda esta tendência, que aparece e reaparece no mundo da Moda, de usar imagens ou pormenores de obras de arte através de estampas ou de construções plásticas em peças de roupa, começou nesse momento em que Yves Saint Laurent se ‘atreveu’ a desenhar o seu vestido Mondrian.

Claro que tenho muuuuuuito respeitinho pela obra de arte que é usada – ou inspira, ou influencia a Moda – bem como acho que todos os criadores têm muita reverência à peça e ao autor que decidem ‘usar’ nas suas criações, não acredito apenas que deva haver um constrangimento no uso de obras de arte para a criação de uma outra, porque não se trata de uma cópia, mas sim de uma das várias possibilidades de criação e evolução a partir de certa peça de arte. Ora se usam peças de Arte integralmente, ora influências e inspiração, a verdade é que quer sejam de outro autor ou mesmo do próprio criador de Moda, desta tendência podem resultar peças extremamente fortes. E confesso que muito do que gosto na Moda é haver a liberdade e ‘essa’ falta de constrangimento na reinvenção constante de formas, técnicas e conteúdo e que podemos ou não vestir.

imagens Style.com

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